sábado, 15 de setembro de 2012

Recado Dado


Acorda, menino. Só porque não deu certo com ela é preciso distribuir espinhos? Eu sei que você ainda tem saudade, que deseja aquela paixão de volta... Então, ferir pra que? "Quem desdenha quer comprar"? Não é porque alguém não te amou o suficiente, ou mesmo de maneira justa, que esse alguém merece ser julgado. Todos estamos no mesmo barco, meu bem, todos já perdemos um amor. E superamos. E outras superações virão, porque a vida a vida é feita disso. Que graça teria se tudo desse sempre certo? Paciência. Bola pra frente. Posar de "garotão" pros amigos e, a dois, demonstrar romantismo, não vai fazer de você um príncipe ou um "homem de verdade". Acorda, garoto. Julgar os outros não vai apagar o que passou, muito menos te fazer mais homem. Só vai te fazer mais hipócrita. Que tal olhar para si mesmo antes de apontar o erro alheio? Cresce. Aprende. SUPERA. Sair, beber, "pegar geral" e xingar pra esquecer é fácil, quero ver ter maturidade suficiente para olhar pra trás de coração limpo.

Paula Braga.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Atear


Sutil
Ardil
Invade-me o pulmão
Desperta-me o dragão
Que se ergue farejando o ar.

Expele fogo
Incendeia
Quebra suas correntes
Derretes cinzas de gelo
Reaquece seu lar.

Pois bem, o cheiro
Mas não só
A palavra, o carinho, a verdade
A proteção, o cuidado
A sorte.

Esse todo
Que me  livrou do nada
Esse todo
Que espantou demônios
E fez renascer a luz.

Por que não veem, cegos olhos?
A puxar-te do abismo está
Aquilo que se atreveu a te amar.
Por entre destroços e feridos
A guarda não ousou baixar.

A batalha é aqui
Fechando os olhos, podia sentir
O abraço benfeitor, o “fica bem”
Não ia ficar
Mas ali, queria.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Poesia Perdida


Acabou a poesia
Perdeu-se nos olhos de quem ria
E via
Com maestria
Um verso de desenrolar.

Acabou a poesia
Foi banida
Da vida
Dolorida
De quem desaprendeu a amar.

Acabou a poesia
Desfez o encanto
No pranto
De olhos fartos de chorar.

Acabou a poesia
Mas que desventura!
Perder a doçura
De saber versar.

Acabou a poesia
Acabou o combustível
Do meu embriagar.

Acabou a poesia
Acabou o sentir
Acabou o contar.

Acabou a poesia
Que me punha a cicatrizar.