terça-feira, 24 de junho de 2014

Check-in


Deixa comigo o teu moletom
Esquece comigo, o meu preferido
Aquele, com teu cheirinho de banho recém tomado,
De cabelo lavado, de melhor cobertor.

Deixa, e não me deixa
Partir sem teu perdão
Mas, eu partindo, não me deixo esquecer
Os pedaços de ti que ficaram comigo.

Só... Volta
Me dá a sorte do último abraço ser teu
E me deixa prometer que o meu amor guardado
Também será o teu.

Paula Braga.

domingo, 6 de abril de 2014

Pelo Direito à Recidiva



Minha recaída tem um quê de coisa antiga, um par de lábios rosados e um ar de liberdade quase que vital. Engraçado como eu tenho paixão por quem tem essa necessidade urgente de sentir-se livre; talvez eu admire porque me falta. Talvez fosse exatamente você que me faltasse.
Eu constantemente me pego tentando entender como começou. Não sei se foi quando descobri seu coração “cego e peludo”, ou quando sua companhia tornou-se uma agradável constante, ou quando passei a correr para os seus braços quando o delírio me consumia, e em você encontrei afago e sensatez. O que preciso e o que me falta. Mas desconfio que foi sobretudo quando te descobri para além do que todos veem. Quando despi meu véu e desmontei sua armadura.
Eu me pergunto até hoje em que momento ou gesto eu mereci te ver.
Peguei-me, então, oferecendo-lhe uma lealdade silenciosa e voluntária, meu presente mais sincero, seu pedido mais secreto. Descobri em mim uma paciência totalmente inédita, e em você um companheirismo pouco reconhecido. Eu li nos seus gestos o quanto você precisava de tudo o que eu me dispus, de corpo e alma, a dar. Não tinha como não ser, também, de coração.
Coração esse que não quis mais ficar sem você, afinal. Se pensou, foi só para sentir a dor da ausência forte o suficiente para que recobrasse o fôlego e preferisse, sim, sentir-lhe perto mesmo sem poder ter. É a minha escolha, todos os dias, tal como foi minha escolha voltar aqui, depois de decidir não mais fazê-lo.
Eu também tinha decidido não mais me apaixonar.
Mas, por você, estou aqui.

Paula Braga.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Derradeiro

Exatos três anos e dois meses. Mais de 11000 visualizações. 74 textos postados. Mais de 74 histórias nas entrelinhas. Infinitas emoções descritas. E duas paixões intensamente vividas nesses 1157 dias: pessoas e palavras. Essa é a minha Lua, que há tanto vem desenhando seus sentimentos despudoradamente nesse tão querido (e, a partir de hoje, saudoso) blog.
Esse é sobre um fim. Mais um. O próprio.
Algumas coisas simplesmente não são possíveis de serem descritas. As palavras, tão amadas, não são mais amigas. Na verdade, hoje eu temo o poder que elas exercem sobre mim, como se me mantivessem numa frequência de sentimentos acima do saudável. É ter que conviver com a própria cabeça lhe sabotando, repetindo incansavelmente aquilo que você gostaria de simplesmente não ter que sentir, tampouco ter que encarar através da palavra escrita.
Apesar de toda essa frequente turbulência de sentimentos, ainda assim, refleti bastante antes de decidir por efetivamente deixá-la, a Lua. Fosse porque ela também me fez muito feliz, ao me elevar emocionalmente através de suas palavras doces, fosse porque ela me consolou quando nem eu mesma entendia o que estava sentindo. Mas ela também se mostrou cruel pela sua sinceridade. O que me fez ver e sentir era, quando não maravilhosamente precioso, dolorosamente errado, e foi pelo desleal excesso destes que hoje eu lhe trago o último ponto final.
Perdão, Lua. Perdão por, depois desses anos todos, deixar-te. Que o silêncio não torne menos verdadeira cada palavra aqui guardada, e que a partida não te faça uma mágoa no coração daqueles para os quais você escreveu. Nós escrevemos. Eu escrevi. Que cada texto seja agora um testemunho de que não foi menos verídico só porque silenciou. Mas silenciou. E em silêncio permaneceremos, numa frequência menos intensa de narrar a vida. E de senti-la.
Deixo aqui o nosso último ponto final. O derradeiro choro da Lua.

Paula Braga.